Por do sol em Pushkar, India

Definitivamente uma das cidade mais bonitas da India, mas confesso que escrever esse texto foi difícil. Não sabia muito o que escrever porque, por mais linda que a cidade seja, eu confesso que eu não absorvi quase nada daqui.

Quando eu cheguei em Pushkar, eu já estava um pouco cansada da India, da dificuldade de se viajar por ali, e por mais que eu, hoje, tenha orgulho de ter visitado o país, na época eu estava em um ponto aonde eu já tinha passada por tanta merda que eu deixava de curtir a viagem pra ficar me preocupando com segurança.

E ai a viagem até Pushkar já me faz passar por situações, que por eu ser mulher, foram perigosas e que eu tive que brigar por minha segurança. Mas a cidade compensa. Pushkar é linda! Com tanta energia positiva que acredito que se não se eu não tivesse passado pela cidade, eu teria surtado muito mais na India.

A cidade que é construída em volta de um lago é considerada sagrada na religião Hindu, e por isso, aqui há algumas restrições mais fortes a respeito da alimentação. Aqui não se pude comer nenhum derivado de animal, nem carne, nem ovo, nem leite.

Todos os dias, por volta das 18 horas você pode ouvir mantras entoados com tambores e cantoria que enchem a cidade de calma. Durante o dia, Xamãs e Monges oferecem bençãos e boas vibrações pra todos que andam por ai.

Templos, totens e oferendas cercam a cidade de forma a aumentar a energia positiva que o lugar tem.

E por mais que eu estivesse apreciando tudo isso, a verdade é que eu estava com raiva. Muita raiva.

Um dia, lá pràs 18 horas, eu desci pro lago sozinha. Passei pelo grupo que fazia os mantras e sentei na beira do lago e fiquei olhando o por do sol enquanto ouvia os mantras.
Eu lembro de tentar sentir paz.

Mas por mais que ali, naquela cidade, durante o dia eu estivesse relativamente segura, a verdade é que fora dali eu não estava. E sentada ali olhando esse por do sol maravilhoso ao som de um mantra de paz, eu só achei raiva! Raiva por não poder fazer algumas coisas sem colocar a minha vida em risco. Raiva pelo fato de eu não poder viajar sozinha pelo país. Raiva porque eu me sentia sem escolha. Raiva por estar com um medo maior que minha coragem.

Raiva pelo fato de que meu medo ali era um medo de um perigo extremamente real e justificável.

Raiva pelo fato de que nenhuma mulher, que ninguém, nunca, deveria estar com tanto medo.


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