Quando eu fiz meu curso de paraquedismo – AFF

A ideia de começar a saltar já vinha matutando na minha cabeça desde o meu salto duplo em 2o12, mas nunca tinha de fato passado de uma ideia. Até que um dia eu via um pessoal fazendo base jump e fiquei fascinada, lembro de ter pensado como seria chato descer a montanha de rapel enquanto poderia descer dessa maneira muito mais… mais.

E como se não bastasse logo em seguida, no Rio de Janeiro, eu e umas amigas fomos saltar de Asa Delta, e o instrutor que foi comigo, Manoel Navarro, era um paraquedista que acabou me dando o último empurrãozinho que faltava. Assim que voltei da viagem já comecei a procurar por escolas de paraquedismo e encontrei a Skydive Boituva e já no final de semana seguinte fui visitar a escola e depois de conversar 5 minutos com a instrutora Aninha eu já estava marcando a primeira aula pro final de semana seguinte.

Parte Teórica


A primeira parte é uma aula teórica de umas 8 horas, aonde você vai conhecer alguns conceitos do esporte, a apresentação do paraquedas e sua funcionalidade, as possíveis panes que podem acontecer no caminho e as ações a serem tomadas em cada uma das situações apresentadas.

Também aprendemos as posições de saída de avião, a navegação básica do paraquedas e condições de pouso, além do treinamento para caso você precise acionar o paraquedas reserva. Foi nessa parte da aula que eu apresentei a minha melhor performance. Após a Aninha explicar um milhão de vezes como se deveria proceder em caso de uma pane, ela colocou um simulador de paraquedas em mim para que eu fizesse a simulação do procedimento de desconexão e abertura do reserva. Enquanto nos preparávamos, começamos a conversar, e conversa vai e conversa vem, quando de repente a Aninha simplesmente grita PANE! E eu com toda a minha agilidade fico mexendo as mãos em todo o aparelho sem puxar nada, sem saber o que fazer olhava pro bagulho e pra Aninha e pro bagulho e pra Aninha e simplesmente assim a simulação de pane causou uma pane real em meu cérebro. RIP Ive.

O que causou risadas na hora e um belo puxão de orelha da Aninha, fez com que eu passasse a noite simulando a pane e treinando para que tudo ficasse no automático. Então, quando no dia seguinte fizemos a simulação pendurada, eu fiz todo o procedimento corretamente, e quero acreditar que com a maior classe que já foi vista em procedimentos de pane. Obrigada. De nada.

AFF 1 – O primeiro salto

Nem preciso dizer que tava pilhadona né, e vendo o vídeo percebi que o meu cabelo representava a minha sensação.

Durante a subida do avião tudo que eu conseguia pensar era nas coisas que eu deveria fazer durante o salto. Checagem na porta, passo a passo da saída. Avião, avião, avião (tempo de saída do avião em vento relativo). Fazer 3 simulações, esperar o altímetro dar 6 mil pés e comandar (abrir) o paraquedas.

Eu só conseguia pensar nisso porque se eu pensasse em qualquer outra coisa ia ficar mais ligadona ainda, então juntei todas as minhas energias e ficava pensando e repensando nesses procedimentos até chegar a hora de sair, e ai assim que eu sai eu entrei em modo automático, fazendo como eu tinha imaginado. No vídeo parece rápido e relativamente aceitável. Na minha cabeça estava assim: AAAAAAI CACETE QUANTO VENTO, COMO RAIOS EU RESPIRO COM TODO ESSE VENTO, MEU DEUS EU ESQUECI COMO SE RESPIRA! EITA, EU NÃO ACHO ESSA PORRA DE PILOTINHO NUNCA. DEEEEEEEEEEEEEEEUS NÃO VAI CHEGAR A 6 MIL NUNCA.

Ai chegou, e assim que meu paraquedas abriu eu dei aquela olhada cheia de expectativa para o paraquedas para constatar que felizmente não havia nenhuma pane e ai que comecei a gritar como a pessoa louca que eu sou. Todo o desespero e vontade de que chegasse a 6 mil logo, passou a ser uma risada de felicidade e a decisão de que eu tinha amado cada segundo disso. Ai eu me toquei que ainda não tinha terminado porque veio a voz do instrutor James no meu capacete mandando eu fazer a checagem do paraquedas e me passando as coordenadas para navegação. E com tudo que a Aninha fez eu decorar eu estava até, relativamente, tranquila, mas ao ir chegando no chão a única coisa que eu pensava era: nem ferrando que eu vou aparecer no vídeo pousando de bunda…

AFF 2: Simulação. Curva a esquerda 90º, curva a direita 90º, track por 4 segundos. Altura. Comandar. Nada de interessante para contar aqui.

AFF 3: Simulação, desconexão dos instrutores e houver.
Ou seja, após os instrutores me soltarem totalmente eu deveria continuar caindo tranquilamente, claaaro não foi isso que aconteceu, após eu perceber que os dois me soltaram eu comecei a achar que eu estava girando porque eu estava vendo eles, então eu resolvi fazer um giro, mas eu não sabia fazer um giro então dei aquela desentortada, consegui consertar, foco em não se mexer e abrir. Tudo errado certo por aqui.

AFF 4: A partir deste salto há apenas um instrutor e ele irá te soltar assim que sair do VR (vento relativo). Temos que fazer: curva 90º a esquerda, 90º a direita, track e comandar. E detalhe, olhar o altímetro entre todas as ações.
Mas o que eu fiz foi: curva 180º, curva 90º esquerda, 90º a direita, checar o altímetro me causou outra curva, fazer o track fazendo curva, olhar o altímetro e rodar mais ainda pra ver a Aninha mandando eu comandar.

AFF 5: Curva 360º a esquerda (eu fui olhar o altímetro e comecei a fazer a curva, ja dei uma migué como se eu na verdade estivesse é fazendo a curva, manja?). Curva 360º a direita. Track. Comandar.

AFF 6: Saída sozinha, loop para trás, track.

AFF 7: Saída mergulho, loop frontal, curva 360º esquerda, 360º direita, track

Obrigada a todos os instrutores da Skydive Boituva ,
em especial aAninha Pulgaci e Erico Azambuja


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