Escalando no GEEU – Campinas, SP

Minha primeira escalada foi em uma viagem em família, e eu gostei tanto do esporte que quis continuar mas não fazia a menor ideia como, eu não conhecia ninguém que escalava e nunca tinha visto nenhuma escola de escalada em Campinas, então deixei pra lá. Demorou uns meses até eu perceber que a vontade ainda não tinha passado. Era uma coisa muito daora de se fazer pra ser deixada de lado, então eu e meu irmão mais novo resolvemos perguntar pro Google as nossas opções. O melhor resultado: o Grupo de Escalada Esportiva da Unicamp, GEEU. Era perfeito, os horários batiam com a nossa disponibilidade e o valor era ótimo, sem delongas já imprimimos o documento de autorização e no dia seguinte estávamos comparecendo no local e no horário da monitoria da noite.

Confesso que quando cheguei eu fiquei extremamente intimidada, um monte de gente falando termos que eu nunca tinha ouvido falar e cada pessoa com seu grupo de amigos já formado. E enquanto isso eu e meu irmão ficamos lá parados na entrada, com cara de aluno novo que entra na escola no meio do semestre. Por sorte, não demorou muito para um dos monitores vir nos receber, e com a maior simpatia pediu nossos termos de autorização e então já nos mostrou aonde pegar os equipamentos e como vesti-los. (A GEEU disponibiliza todos os equipamentos para escalada no local).

A primeira via que fiz era livre, ou seja, eu podia ir subindo pegando nas agarras (suporte para pés e mãos) que quisesse, e eu consegui completar a via sem nenhuma queda e em um bom tempo, ai já desci do muro me achando à escaladora. Tonta né? A monitora que estava fazendo minha segurança me deu um elogio e já me passou uma via (rota já definida para escalada) para fazer. Uma fácil ela me disse, você consegue ela apostou, você vai fazer ela se equivocou. No meio da via todo aquele sentimento de eu já era uma escaladora foi pro brejo e um novo sentimento de desafio começou.

Escalar aquele dia foi de mais, mas como tudo na vida sempre tem um “porém” e aqui não foi diferente. Lembro que mesmo com o lugar completamente lotado nós fomos escalar quase que imediatamente depois da nossa chegada, e uma coisa que notamos, enquanto conversávamos com a monitora, era os comentários de alguns escaladores sobre o fato de que eles tinham que esperar um monte de tempo enquanto os novatos simplesmente passavam na frente. Comentários extremamente discretos falados em voz alta para quem quiser ouvir, então né?! A monitora meio que se desculpou pelos outros e tals. A gente entende que a gente é novato e não sabe escalar e demora mais e tals. Entende tão bem que a gente decidiu não ir mais.

Mas eu ainda tinha muita vontade de escalar, então depois de uns meses consegui trocar meus horários pra poder voltar em um horário diferente no muro, o da manhã. Eu lembro que adiei a primeira ida uma par de vezes, e quando finalmente tomei coragem e fui, a experiencia não poderia ter sido melhor. Fui extremamente bem recebida por uma galera toda simpática e receptiva, e ai já comecei a ir sempre e de pouquinho em pouquinho eu fui evoluindo. Então já sabe né, uma experiencia ruim não define todo o projeto, que é  ótimo. Após um tempo de treino eu acabei me machucando na aula de Muay Thai e tive que parar de escalar por um tempo. Esse tempo foi cerca de uns 8 meses, e na volta tudo mudou, as vias do muro, os monitores e o meu jeito de encarar a escalada. 

Aqui eu queria falar um pouco de mim e o que a escalada significa e significou pra mim. Eu sempre tive, e ainda tenho, um medo enorme de falhar, medo tão grande que diversas vezes quando as coisas começavam a ficar difíceis eu simplesmente parava de tentar no meio do caminho só pra poder dizer pra mim mesma que eu só não tinha conseguido porque não tentei de verdade. Entenda que escalada pra mim era um esporte que eu queria muito fazer, mas que eu inevitavelmente iria falhar, então pra mim era sempre muito difícil, especialmente quando eu conseguia uma via e tinha que passar para uma via nova aonde eu não sabia se ia conseguir. Também considerando que as vias no GEEU estão sendo sempre atualizadas então nenhuma via fica no muro por muito tempo. Com isso eu tinha que estar sempre me esforçando muito pra continuar indo, e mesmo assim eu estava sempre faltando.

Na minha volta para o muro depois de me machucar, as coisas já estavam todas diferentes. E o monitor que veio me re-receber foi o Rodrigo Junqueira. Esse cara pra mim foi mais que o monitor da turma da manhã e um querido amigo, ele foi o meu mestre de escalada. Primeiramente ele é o tipo de pessoa que não liga de compartilhar o que sabe, ele nunca vai te enrolar pra responder uma pergunta e nunca vai responder com aquele tom de, “como assim você não sabe disso?” Infelizmente tem muita gente assim no mundo. Segundo ponto é que ele é um motivador nato. Sabe aquele meu medo de falhar gigante? Então, quando conheci ele a escalada tomou um tom diferente pra mim. Ele me mostrou que não tinha nada de mais em cair, que eu só deveria continuar tentando, e que era completamente ok falhar. E por isso que chamo ele de meu mestre de escalada.

Eu lembro até hoje uma vez que ele virou pra mim e falou, “Hey tá na hora de você mudar de via, desapega dessa ai e vai fazer outra mais difícil. Faz essa aqui, você vai cair, mas vai aprender uns movimentos novos e eventualmente vai conseguir fazer.” Lembro que ele falou isso de um jeito tão… como se eu o fato de eu falhar não fosse nada de mais, sabe. E isso me trouxe o pensamento: é então, e se eu não conseguir fazer, qual o problema? De pouco em pouco comecei a brigar com esse meu medo de falhar, e muito coisa eu aprendi e ainda to aprendendo sobre isso. Uma das coisas que eu demorei pra entender foi a conversar com a minha mente, estar sempre me convencendo de que não adianta querer pular etapa, na escalada (e na vida) as coisas são progressivas, você aprende movimento por movimento. Se comparar com os outros não rola, o que é fácil pros outros pode ser um desafio pra você, e aquele movimento que é natural pra você, não é assim tão natural pra outros. Aquela via que parecia impossível vai se tornando acessível, até que um dia você consegue terminar ela com apenas uns capotes, e depois de mais um tempo você consegue fazer ela sem nenhum capote, até decidir ir para uma outra via aonde os capotes ainda são numerosos. Com a motivação e paciência do Rodrigo eu comecei a tentar escalar cada vez mais e aprender mais, sobre mim e sobre escalada.

Esse post foi pra compartilhar o que escalada é pra mim: muito mais que um desafio físico é um desafio mental e de aceitação. E também claro, é um agradecimento pela paciência e parceria do Rodrigão. 

Ah, o mestre agora compartilha o imenso conhecimento dele e de outros escaladores pelo PodCast: ClimbCast. Você pode conferir clicando aqui, vale a pena viu!

Informações sobre a GEEU:
Endereço: A, Av. Albert Einstein, 763 – Cidade Universitária, Campinas – SP, Brasil
Unicamp – Perto das quadras, você consegue ver da rua o muro. (Em frente ao ponto de ônibus) 
Site: Clique aqui


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3 Replies to “Escalando no GEEU – Campinas, SP”

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